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Posts Tagged ‘recuperação de áreas degradadas’

Ricardo Cardim

Essa fotografia acima foi tirada em 2009 no reflorestamento com nativas realizado no parque Villa – Lobos na cidade de São Paulo por volta do final da década de 1980. Antes de ser parque ali, tudo era um antigo aterro sanitário desativado. Duas décadas depois, as árvores já tem mais de 1o metros de altura e formaram densos capões para quem vê de fora. Mas ao entrar dentro dessas matas a impressão que se tem é de estar em uma floresta inundável amazônica, que não tem outro estrato florestal a não ser o das árvores emergentes.

Onde estão o sub bosque com seus arbustos, cipós, palmeiras, árvores novas, ervas e arvoretas? Cadê as epífitas como bromélias, aráceas e orquídeas? Uma mata a poucos quilômetros dessa, dentro da USP, tem uma aparência bem diferente, mesmo sendo secundária, e os estratos estão todos presentes, como uma verdadeira floresta atlântica.

Para formar uma composição próxima a uma mata nativa precisa-se mais do que apenas uma plantação de árvores pioneiras, secundárias e clímax. Em uma floresta tropical as árvores são apenas parte do todo, e isso precisa ser observado por aqueles que planejam recomposições da vegetação original e são plantadores de árvores. Senão, todo o trabalho pode ter uma durabilidade efêmera, não apresentando potencial de regeneração e não atuando como uma mata tropical de verdade.

Ricardo Henrique Cardim

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https://i0.wp.com/www.institutoaf.org.br/wp-content/uploads/2009/11/manifesto.jpg“Lutar pelo verde, tendo a certeza de que
sem o homem e mulher o verde não tem cor”
Paulo Freire

O Código Florestal Brasileiro é um patrimônio da sociedade brasileira e uma referência internacional no que se refere à legislação sobre o meio ambiente e a utilização dos seus recursos. Apresenta-se de forma diferenciada às diversas formas de agricultura do país, permitindo maior flexibilidade para o desenvolvimento da agricultura familiar e camponesa, haja vista a importância desta para a produção de alimentos.

Após a criação do Código Florestal de 1965, foram incorporadas complementações por meio de medidas provisórias e reformas pontuais destacando-se as alterações de 89, quando o Brasil se preparava para a ECO 92.

Porém, mesmo com toda riqueza técnica e política sua aplicação não foi, de fato, efetiva. O governo, durante a ditadura, estava praticando uma política de incentivo ao desmatamento através de projetos de colonização, utilizando-se do lema “homens sem terra para terras sem homens”. Posteriormente, as novas diretrizes governamentais passaram a aplicar o código de forma punitiva sem proporcionar condições reais de adequação e regularização das propriedades.

Assim, com o passar dos anos, criou-se uma “mistificação” de que o Código Florestal é rígido e se apresenta como um empecilho ao desenvolvimento da agricultura no Brasil. No entanto, fica claro que o que falta não é uma legislação “de qualidade” e sim programas de governo que venham para auxiliar a agropecuária na adequação ao código.

Diante disso, as instituições e pessoas presentes ao Ato Público realizado na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, em 12/11/09, compreendendo a importância do atual Código como instrumento de política pública voltada à conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida do povo brasileiro, manifestam-se contrárias a qualquer projeto que venha substituí-lo ou modificá-lo sem a prévia aplicação efetiva de programas voltados a sua implantação e o amplo debate junto à sociedade brasileira.

Avaliamos que o PL 6424 é um retrocesso do atual Código em favor de interesses econômicos que defendem o avanço indiscriminado do agronegócio, na contramão da liderança que o Brasil deve assumir frente às questões socioambientais planetárias.

Dessa forma nos manifestamos em Defesa do Código Florestal Brasileiro e chamamos toda a comunidade a debater acerca do mesmo.

Se você concorda com este Manifesto, visite www.institutoaf.org.br/2009/11/manifesto-em-defesa-do-codigo-florestal/deixando sua assinatura de apoio e também nos ajudando a divulgá-lo. Para quem ainda tem dúvidas, criamos um Fórum de Discussão: www.institutoaf.org.br/forum/

Este Manifesto será entregue para Parlamentares na ESALQ/USP – Anfiteatro do Depto. de Ciências Florestais (Av. Pádua Dias, 11 – Piracicaba/SP), no dia 10/12/2009 às 19 horas, e posteriormente encaminhado para o Presidente da República, a Casa Civil, os Ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário, e demais Senadores e Deputados!

Saudações,
Comissão Organizadora do Ato Público

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ataque de formiga cortadeira foto de Ricardo Cardim

“Ou o Brasil acaba com a saúva ou ela acaba com o Brasil” essa frase exagerada, repetida a exaustidão, ainda permeia a cultura rural e urbana. Mas o fato é que, embora a saúva e outras formigas cortadeiras como a quemquém causem prejuízos, elas são importantes para o equilíbrio ecológico do ecossistema.

Entretanto, tudo o que não se quer em um reflorestamento, seja ele para preservação ou comercial, é a presença delas nas mudas. Um ataque noturno desses insetos pode inviabilizar um plantio recente com plantas de pequeno porte. Normalmente as iscas e outros inseticidas são usados antes do plantio para eliminação das colônias (nem sempre com sucesso).

O que poucos sabem é que a manutenção do “mato” como capim, ervas e outras plantas espontâneas no local, evita muito o ataque desses insetos, além de ajudar na regeneração da vegetação pretendida e proteger o solo. Na foto acima, um capixingui (Croton floribundus) lança suas primeiras folhas após um ataque que o despiu totalmente. Esse não morreu por milagre.

Ricardo Henrique Cardim

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muda seca foto de Ricardo Cardim

Muda plantada sem nenhuma proteção ao solo em volta - já perdeu todas as folhas.

Entre os grandes inimigos no pegamento das mudas, um de fácil solução é muitas vezes (para não falar quase todas) negligenciado – a disponibilidade de água. Regar as mudas constantemente no campo, em pleno reflorestamento, é complicado e custa dinheiro.

Uma solução de custo praticamente zero é espalhar matéria vegetal morta no pé da muda, em volta de toda a cova. Pode ser palha de corte de grama, de colheita mecânica da cana ou o que estiver mais próximo, até um pouco de serrapilheira de matas próximas ajudam a regenerar o ambiente com novas mudas.

Assim, com cerca de 10 a 15 cm de cobertura seca, a evaporação ocorre muito mais lentamente e a planta resiste a longos períodos secos e ganha maiores chances de sobrevivência.

Ricardo Henrique Cardim

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comparativo sem mata Ricardo H Cardim

Conversando com uma amiga que também gosta de florestas, discutíamos sobre a necessidade ou não de plantar árvores para recuperar uma área ex-florestada. O custo financeiro, o tempo dispendido, o erro e acerto nas espécies e a chance de fracasso são ingredientes preocupantes no processo. Por que não deixar a natureza fazer o serviço, tirando agentes pertubadores como gado e fogo e a sucessão natural resolver? 

A própria natureza na maior parte das vezes resolve o problema, a questão é o tempo. Áreas cultivadas há muitas décadas, solo erodido, ausência de fauna e fragmentos vegetacionais por perto como porta-sementes são grandes impeditivos  para o processo regenerativo acontecer no tempo preciso. Melhor é uma decisão ativa.

Na foto acima temos um capinzal na frente de uma mata de altitude crescendo. As duas áreas estão cercadas e sem perturbação desde 1995. A diferença é gritante. No primeiro plano nada foi plantado, mas no segundo foram inseridas  árvores, arbustos e lianas na época.

Só com o abandono de algumas áreas o que conseguinos é  um pasto sujo,  e nada de melhora ambiental dentro de um período que pode e deve ser acelerado. Mãos à obra!

Ricardo Henrique Cardim

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bandejas de germinação com vermiculita. Ricardo Cardim

bandejas de germinação com vermiculita. Ricardo Cardim

Um dos principais erros cometidos em recuperação e formação de matas ciliares, ainda mais naqueles não-profissionais,  é com relação a escolha das espécies a serem usadas no projeto. Difícil acertar  nas primeiras vezes, normalmente acabamos conseguindo sementes através de um amigo de outro Estado, colhendo de uma árvore que achamos bonita em praça ou rua, ou frutíferas de um  pomar perto, e criamos um vegetação que reflete nosso gosto, com plantas exóticas e domesticadas.

Aí nós temos um bosque, não uma mata nativa que tenta recriar a ecologia e florística da área degradada. Na minha opnião, o melhor a se fazer é sempre coletar sementes da vegetação nativa perto do reflorestamento e montar um viveiro por ali mesmo. Se o projeto for de mata ciliar, coletar em uma mata ciliar natural  já existente. Muita atenção para conseguir a maior diversidade possível e espécies de diferentes momentos da formação da mata, a sucessão florestal (pioneiras, secundárias iniciais e tardias e clímax).

A melhor dica é sempre recuperar a área baseando-se na vegetação original das matas mais  próximas, que está adaptada milenarmente às condições locais.

Ricardo Henrique Cardim

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Um dos fatores mais importantes que observo para o sucesso de ações de reflorestamento e recuperação de vegetação, principalmente quando é realizado em áreas muito degradadas, sem banco de sementes e árvores matrizes por perto, é a formação do microclima.

Com o microclima advindo do sombreamento completo do solo pelo encontro das copas das jovens árvores, evita-se o crescimento de capim e outras plantas invasoras agressivas que competiriam com as árvores plantadas e prejudicariam ou impossibilitariam o sucesso da ação. Muitos reflorestamentos fracassam após poucos anos por esse fator.

Aqui percebemos o excesso de sol no solo e consequentemente o capim vigoroso, além das árvores estarem com a copa apresentando ramos muito cedo. Isso ocorreu principalmente porque eu usei poucas espécies pioneiras resistentes a geadas e formigas. Ricardo H Cardim

Aqui percebemos o excesso de sol no solo e consequentemente o capim vigoroso, além das árvores estarem com a copa apresentando ramos muito cedo. Isso ocorreu principalmente porque eu usei poucas espécies pioneiras resistentes a geadas e formigas, o que causou muitas perdas. Ricardo H Cardim

 

Ricardo Henrique Cardim

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