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Posts Tagged ‘silvicultura’

ataque de formiga cortadeira foto de Ricardo Cardim

“Ou o Brasil acaba com a saúva ou ela acaba com o Brasil” essa frase exagerada, repetida a exaustidão, ainda permeia a cultura rural e urbana. Mas o fato é que, embora a saúva e outras formigas cortadeiras como a quemquém causem prejuízos, elas são importantes para o equilíbrio ecológico do ecossistema.

Entretanto, tudo o que não se quer em um reflorestamento, seja ele para preservação ou comercial, é a presença delas nas mudas. Um ataque noturno desses insetos pode inviabilizar um plantio recente com plantas de pequeno porte. Normalmente as iscas e outros inseticidas são usados antes do plantio para eliminação das colônias (nem sempre com sucesso).

O que poucos sabem é que a manutenção do “mato” como capim, ervas e outras plantas espontâneas no local, evita muito o ataque desses insetos, além de ajudar na regeneração da vegetação pretendida e proteger o solo. Na foto acima, um capixingui (Croton floribundus) lança suas primeiras folhas após um ataque que o despiu totalmente. Esse não morreu por milagre.

Ricardo Henrique Cardim

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Reflorestamento com cedros adensados em borda de mata

Reflorestamento com cedros adensados em borda de mata

Em viagem para o Amazonas no ano passado, mais precisamente na Reserva Mamirauá, no coração do Estado, visitei um reflorestamento realizado em uma comunidade ribeirinha assessorado por profissionais. A idéia era plantar árvores produtoras de madeira para as futuras gerações do local a terem como um “depósito vivo” e usufruírem nas suas necessidades.

Uma das madeiras mais requisitadas para plantar na época foi o cedro (Cedrela odorata). Os ribeirinhos foram orientados a plantar um do lado do outro, bem adensados de forma a aproveitar o terreno e criar um fuste reto. Passaram 12 meses e as plantas já estavam com quase três metros. Até que um dia começaram a perder a ponta (gema apical) um a um e morreram. Todo o trabalho foi perdido.

A causa é velha conhecida de quem planta florestas, já que ataca cedros de espécies tanto do Sul quanto do Norte. Trata-se de uma larva de besouro, a broca-do-cedro (Hypsipyla grandella Zeller), que quase invariavelmente ataca formações adensadas de cedros. O segredo mais uma vez está na observação da natureza e seus mecanismos.

Nas matas naturais o cedro é geralmente uma árvore rarefeita, não ocorrendo em populações com árvores muito perto uma das outras, e o besouro é um regulador natural desse processo. Antes de plantar temos que ter humildade e observar para aprender as lições da própria mata.

Ricardo Henrique Cardim

Gema apical ou ponteiro do cedro atacado

Gema apical ou ponteiro do cedro atacado

A responsável - broca-do-cedro (Hypsipyla grandella Zeller)

A responsável - broca-do-cedro (Hypsipyla grandella Zeller)

 

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eucalipto

reflorestamento de eucaliptos com a mata nativa respeitada - como qualquer outra cultura

O assunto eucalipto costuma despertar paixões nos seus defensores e odiadores. O problema é o fato de  muitos confundirem as coisas, e aí começa a polêmica. A plantação de eucaliptos tem que ser encarada como mera cultura agrícola, que em vez de produzir alimentos produz celulose e madeira principalmente.

Uma vez que é uma cultura agrícola como a soja, a cana e outras, precisa-se tomar diversas medidas para ser sustentável – cuidado com o solo, uso mínimo de defensivos, não ocupar áreas de reserva de vegetação nativa e toda a cartilha recomendada à agricultura moderna.

O eucalipto NÃO substitui em nenhum momento a vegetação nativa e áreas de proteção ambiental como matas ciliares, ele é uma árvore, mas não para isso. Quem o usa para essa finalidade  está completamente errado. A vegetação ideal de um local é aquela pré-existente, a nativa, em todas as suas características selecionadas por eras.

Mas, para quem também diz a velha história que o eucalipto destrói o solo em poucos plantios, está equivocado. Basta lembrar da fazenda da Cia. Melhoramentos de papel nos arredores da Capital Paulistana, onde se planta o gênero australiano há mais de 100 anos e continua se cultivando sem maiores dramas.

O seu uso desde a época das companhias de estrada de ferro, tendo Navarro de Andrade como seu incentivador, salvou e salva da destruição milhares e milhões de hectares de mata e cerrado nativos que hoje não mais existiriam se não fosse por ele, dado nosso voraz consumo de madeira, lenha e papel. Isso sem falar na retenção do carbono pelo eucalipto por um bom tempo, quando usado para produção de  madeira serrada.

Temos que separar as coisas: um uso é com finalidade agrícola, ok, outro como árvore substituta da nativa,  não.

Ricardo Henrique Cardim

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