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Posts Tagged ‘reflorestamento’

Uma das maiores dificuldades que encontrei no trabalho de reflorestar uma margem de rio dentro de uma propriedade na Serra da Mantiqueira em São Paulo foi algo que sequer imaginava poder ocorrer.

 Após dois anos a área plantada já começava a ensaiar suas primeiras uniões de copas entre as árvores, dando um aspecto de capoeira rala. Todo o investimento de tempo, dinheiro e estudos estava respondendo e o objetivo sendo cumprido.

Entretanto, em um dia de inspeção, encontrei quase todas as mudas cortadas rentes as suas bases. Um dos funcionários da propriedade, mesmo tendo sido avisado sobre aquele plantio de árvores achou o terreno cercado “muito sujo” e em um ato de boa-fé resolveu “limpá-lo”, intenrrompendo os trabalhos e até as mudas espontâneas que despertavam no local levadas pela fauna e vento.

Isso ainda ocorreu outra vez três anos depois por um outro funcionário. Os cortes não conseguiram prejudicar a formação da mata e o reflorestamento apresentou ótima resiliência. Mas mostrou a necessidade constante da educação ambiental da comunidade de entorno, que pode prevenir problemas como esse e ainda plantar novas sementes.

jacarandá (Dalbergia nigra) cortado rente pela segunda vez e brotando forte. Alta capacidade de resiliência. Ricardo Cardim

jacarandá (Dalbergia nigra) cortado rente pela segunda vez e brotando forte. Alta capacidade de resiliência. Ricardo Cardim

 

Ricardo Henrique Cardim

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Para se obter o microclima, um sombreamento promotor de temperaturas e umidade adequadas às plantas mais exigentes, com solo apresentando mais água disponível, maior diversidade de fauna e consequentemente novas plantas espontâneas e enriquecimento – muita atenção as árvores e arbustos pioneiros.

Essas plantas presentes em clareiras e nos primeiros estágios da sucessão florestal variam bastante dentro dos biomas. O melhor é sempre observar e coletar as espécies pioneiras que ocorrem perto da área a ser reflorestada, escolhendo aquelas mais rústicas e de crescimento mais rápido, atentando para colher as sementes de diferentes matrizes e o maior número de espécies possíveis.

Com essas mudas prontas para campo, o espaçamento deve ser o menor possível para a área, levando a uma natural competição entre as arvorezinhas, que vão lutar para obter luz e os nutrientes, buscando o alto e encostando rapidamente as suas copas, formando o tal “microclima” embaixo da folhagem. A partir desse momento uma das principais etapas está resolvida, porém, muitas outras ainda virão…

Ricardo Henrique Cardim

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eucalipto

reflorestamento de eucaliptos com a mata nativa respeitada - como qualquer outra cultura

O assunto eucalipto costuma despertar paixões nos seus defensores e odiadores. O problema é o fato de  muitos confundirem as coisas, e aí começa a polêmica. A plantação de eucaliptos tem que ser encarada como mera cultura agrícola, que em vez de produzir alimentos produz celulose e madeira principalmente.

Uma vez que é uma cultura agrícola como a soja, a cana e outras, precisa-se tomar diversas medidas para ser sustentável – cuidado com o solo, uso mínimo de defensivos, não ocupar áreas de reserva de vegetação nativa e toda a cartilha recomendada à agricultura moderna.

O eucalipto NÃO substitui em nenhum momento a vegetação nativa e áreas de proteção ambiental como matas ciliares, ele é uma árvore, mas não para isso. Quem o usa para essa finalidade  está completamente errado. A vegetação ideal de um local é aquela pré-existente, a nativa, em todas as suas características selecionadas por eras.

Mas, para quem também diz a velha história que o eucalipto destrói o solo em poucos plantios, está equivocado. Basta lembrar da fazenda da Cia. Melhoramentos de papel nos arredores da Capital Paulistana, onde se planta o gênero australiano há mais de 100 anos e continua se cultivando sem maiores dramas.

O seu uso desde a época das companhias de estrada de ferro, tendo Navarro de Andrade como seu incentivador, salvou e salva da destruição milhares e milhões de hectares de mata e cerrado nativos que hoje não mais existiriam se não fosse por ele, dado nosso voraz consumo de madeira, lenha e papel. Isso sem falar na retenção do carbono pelo eucalipto por um bom tempo, quando usado para produção de  madeira serrada.

Temos que separar as coisas: um uso é com finalidade agrícola, ok, outro como árvore substituta da nativa,  não.

Ricardo Henrique Cardim

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Atualmentente se tornou moda  o tal “carbono neutro”,  com diversos tipos de eventos e empresas plantando árvores ou buscando quem possa fazer isso por elas.

Um dos locais preferidos para essas ações são as margens de corpos de água, onde se estabelecem as matas ciliares. Realmente precisamos de muitas florestas para preencher a lacuna causada por mais de um século de destruição no Estado de São Paulo, e essas ações mesmo que não estejam “neutralizando” o carbono são bem-vindas, já que ajudam a recuperar o imenso passivo ambiental.

A questão é que a maioria desses reflorestamentos seguem a linha plantação de árvores, muitas vezes de forma descuidada,  onde se plantam espécies “nativas” (as vezes de beeem longe do local) pouco preocupado com os  estágios da sucessão florestal, porte minúsculo e com grande espaçamento para economizar no número de mudas.

O resultado é fácil de prever em muitas dessas ações: muito capim invasor como o braquiária, formigas saúva e quenquém, estresse hídrico das mudas, erosão e logo após algum tempo uma savana de alguns arbustos cheios de galhos sobreviventes em meio a um alto capinzal, até que o fogo um dia leve isso também.

Isso podemos observar por exemplo no reflorestamento feito na década de 90 e 00 nas margens da rodovia  Bandeirantes perto de Sorocaba.

A manutenção é algo esporádico, e se restinge geralmente a remoção do capim no pé da muda, com direito, inclusive, a cortes da enxada no tronco das pequenas árvores.

Voltando as ações de mitigação, o sujeito que contratou o serviço e seus clientes geralmente não sabem sequer em que lugar esse reflorestamento vai ocorrer e nem como e quando, e não entendem os processos, não existe controle e nem conexão com as pessoas e aí, fica a critério da competência, ética e técnica do implantador, ficando as pessoas na cidade de consciência leve, as do campo com a certeza de que cumpriram sua obrigação, e o resto a cargo da natureza (que vença o mais forte).

Por isso, devemos ter cuidado com essas ações “Carbon Free” talvez elas não sejam tão “free” assim.

Ricardo Henrique Cardim

 reflorestamento

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