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Posts Tagged ‘matas ciliares’

Impressionante como em pleno século 21 ainda existem pessoas com idéias medievais e irresponsáveis nas questões ambientais. O deputado citado no título e os ruralistas mais uma vez atendem interesses imediatistas e desconectados com o presente e o futuro de todos. Ao defenderem o projeto que retira da União poderes na área ambiental, o futuro da vegetação brasileira e da água está seriamente comprometido.

Caso esse projeto por total absurdo seja aprovado, não sobrará uma árvore em pé no País. Não se trata de exagero ou alarmismo. Se a prerrogativa de fixar o  tamanho das áreas de proteção permanente nas margens de corpos d’água (rios, represas, etc.) for transferido para municípios, interesses econômicos locais (que aliás são geralmente os mesmos que ocupam as câmaras municipais e prefeitura)  determinarão aquilo que é mais conveniente para seus bolsos agora e não para os brasileiros e o planeta.  Adeus matas ciliares e água doce.

Quem conhece o Brasil, sabe que nas cidades menores, difíceis são os políticos locais que não possuem fazendas ou não tem fazendeiros no seu eleitorado, e poucos são aqueles preocupados com o meio ambiente a ponto de deixar reservas florestais em sua terra por iniciativa própria e não por lei federal. Vai ter município por aí aprovando leis de 0% matas ciliares e reserva legal, tudo em nome da produtividade e do agronegócio. 

Caso seja aprovado, lenha e madeira não vão faltar nos próximos anos, e é bom começar a estocar água…

Ricardo Henrique Cardim

Na esquerda da foto o que é hoje, à direita o que será, caso o projeto do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) seja aprovado

Na esquerda da foto o que é hoje, à direita o que será, caso o projeto do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) seja aprovado

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comparativo sem mata Ricardo H Cardim

Conversando com uma amiga que também gosta de florestas, discutíamos sobre a necessidade ou não de plantar árvores para recuperar uma área ex-florestada. O custo financeiro, o tempo dispendido, o erro e acerto nas espécies e a chance de fracasso são ingredientes preocupantes no processo. Por que não deixar a natureza fazer o serviço, tirando agentes pertubadores como gado e fogo e a sucessão natural resolver? 

A própria natureza na maior parte das vezes resolve o problema, a questão é o tempo. Áreas cultivadas há muitas décadas, solo erodido, ausência de fauna e fragmentos vegetacionais por perto como porta-sementes são grandes impeditivos  para o processo regenerativo acontecer no tempo preciso. Melhor é uma decisão ativa.

Na foto acima temos um capinzal na frente de uma mata de altitude crescendo. As duas áreas estão cercadas e sem perturbação desde 1995. A diferença é gritante. No primeiro plano nada foi plantado, mas no segundo foram inseridas  árvores, arbustos e lianas na época.

Só com o abandono de algumas áreas o que conseguinos é  um pasto sujo,  e nada de melhora ambiental dentro de um período que pode e deve ser acelerado. Mãos à obra!

Ricardo Henrique Cardim

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O reflorestamento ou recuperação ambiental de matas ciliares pode ser bastante acelerado naturalmente, sem a necessidade da plantação de mais árvores que demandam recursos financeiros e tempo. Basta descobrir modos de atrair a avifauna – os passarinhos principalmente –  para o local. Com eles, uma multidão de plantas que os usam como dispersores possivelmente germinarão, já que seus frutos são consumidos e depois “bombardeados” via fezes no solo.

Como o Prof. Ademir Reis, de Santa Catarina, faz: usa bambus secos estrategicamente espalhados pelo terreno e fios  interligando-os. Os pássaros vão acabar usando essas estruturas como poleiro e deixando sementes para enriquecer o reflorestamento. Outra idéia é quando existem árvores exóticas como o eucalipto e o pinus, nesse caso, um anelamento na casca dessas árvores as matam em pé e elas vão se decompondo naturalmente, sendo usadas como pouso da avifauna também.

No meu reflorestamento, usei o método do poleiro de fio e encontrei algum tempo depois diversas pequenas mudas abaixo dos fios, principalmente da família Myrtaceae, como o araçá e o sete-capotes. Hoje fazem parte do sub-bosque.

figueira-brava crescendo dentro de oco de uma aroeira-branca a um metro acima do solo - plantada por pássaros. Foto Ricardo Cardim

figueira-brava crescendo dentro de oco de uma aroeira-branca a um metro acima do solo - plantada por pássaros. Foto Ricardo Cardim

 

 

 

Ricardo Henrique Cardim

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Araucária (Araucaria angustifolia) Ricardo Cardim

Uma árvore que precisa ser lembrada em reflorestamentos no Município de São Paulo e arredores, e também para as cidades mais ao sul, é a araucária (Araucaria angustifolia). Como na maioria das formações florestais de Mata Atlântica sbreviventes nestas áreas essa espécie já não existe mais devido a antigas explorações madereiras que às vezes remontam a vários séculos atrás, esquece-se esse belo pinheiro nativo.

No Estado de São Paulo acostumou-se a acreditar que a araucária é uma árvore típica apenas de locais altos como a Serra da Mantiqueira, mas isso é uma constatação moderna. Anchieta, no século XVI relatava vastos pinheirais para toda a região onde hoje é a cidade de São Paulo e outros viajantes como Debret e Martius observaram e até desenharam a espécie em todo o caminho entre a cidade de Curitiba e São Paulo no século XIX.

Ricardo Henrique Cardim  

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bandejas de germinação com vermiculita. Ricardo Cardim

bandejas de germinação com vermiculita. Ricardo Cardim

Um dos principais erros cometidos em recuperação e formação de matas ciliares, ainda mais naqueles não-profissionais,  é com relação a escolha das espécies a serem usadas no projeto. Difícil acertar  nas primeiras vezes, normalmente acabamos conseguindo sementes através de um amigo de outro Estado, colhendo de uma árvore que achamos bonita em praça ou rua, ou frutíferas de um  pomar perto, e criamos um vegetação que reflete nosso gosto, com plantas exóticas e domesticadas.

Aí nós temos um bosque, não uma mata nativa que tenta recriar a ecologia e florística da área degradada. Na minha opnião, o melhor a se fazer é sempre coletar sementes da vegetação nativa perto do reflorestamento e montar um viveiro por ali mesmo. Se o projeto for de mata ciliar, coletar em uma mata ciliar natural  já existente. Muita atenção para conseguir a maior diversidade possível e espécies de diferentes momentos da formação da mata, a sucessão florestal (pioneiras, secundárias iniciais e tardias e clímax).

A melhor dica é sempre recuperar a área baseando-se na vegetação original das matas mais  próximas, que está adaptada milenarmente às condições locais.

Ricardo Henrique Cardim

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Uma das maiores dificuldades que encontrei no trabalho de reflorestar uma margem de rio dentro de uma propriedade na Serra da Mantiqueira em São Paulo foi algo que sequer imaginava poder ocorrer.

 Após dois anos a área plantada já começava a ensaiar suas primeiras uniões de copas entre as árvores, dando um aspecto de capoeira rala. Todo o investimento de tempo, dinheiro e estudos estava respondendo e o objetivo sendo cumprido.

Entretanto, em um dia de inspeção, encontrei quase todas as mudas cortadas rentes as suas bases. Um dos funcionários da propriedade, mesmo tendo sido avisado sobre aquele plantio de árvores achou o terreno cercado “muito sujo” e em um ato de boa-fé resolveu “limpá-lo”, intenrrompendo os trabalhos e até as mudas espontâneas que despertavam no local levadas pela fauna e vento.

Isso ainda ocorreu outra vez três anos depois por um outro funcionário. Os cortes não conseguiram prejudicar a formação da mata e o reflorestamento apresentou ótima resiliência. Mas mostrou a necessidade constante da educação ambiental da comunidade de entorno, que pode prevenir problemas como esse e ainda plantar novas sementes.

jacarandá (Dalbergia nigra) cortado rente pela segunda vez e brotando forte. Alta capacidade de resiliência. Ricardo Cardim

jacarandá (Dalbergia nigra) cortado rente pela segunda vez e brotando forte. Alta capacidade de resiliência. Ricardo Cardim

 

Ricardo Henrique Cardim

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Um dos fatores mais importantes que observo para o sucesso de ações de reflorestamento e recuperação de vegetação, principalmente quando é realizado em áreas muito degradadas, sem banco de sementes e árvores matrizes por perto, é a formação do microclima.

Com o microclima advindo do sombreamento completo do solo pelo encontro das copas das jovens árvores, evita-se o crescimento de capim e outras plantas invasoras agressivas que competiriam com as árvores plantadas e prejudicariam ou impossibilitariam o sucesso da ação. Muitos reflorestamentos fracassam após poucos anos por esse fator.

Aqui percebemos o excesso de sol no solo e consequentemente o capim vigoroso, além das árvores estarem com a copa apresentando ramos muito cedo. Isso ocorreu principalmente porque eu usei poucas espécies pioneiras resistentes a geadas e formigas. Ricardo H Cardim

Aqui percebemos o excesso de sol no solo e consequentemente o capim vigoroso, além das árvores estarem com a copa apresentando ramos muito cedo. Isso ocorreu principalmente porque eu usei poucas espécies pioneiras resistentes a geadas e formigas, o que causou muitas perdas. Ricardo H Cardim

 

Ricardo Henrique Cardim

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